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Dança da Lua: Um Rito Ancestral Feminino de Cura, União e Rezo

  • 8 de jun.
  • 4 min de leitura

Quando nos reunimos para rezar, a Terra sente, e nossas relações também.


Existem caminhos que não são aprendidos em livros. Caminhos que chegam até nós através da memória e de um chamado da ancestralidade. A Dança da Lua é um desses caminhos.


Mais do que uma cerimônia, trata-se de um rito ancestral feminino que atravessa gerações, fronteiras e culturas, reunindo mulheres de todo o mundo em um profundo movimento de oração, cura, fortalecimento e reconexão com a essência da vida.


Realizada tradicionalmente em períodos de Lua Cheia, a Dança da Lua tem suas raízes em tradições do México e chegou ao Brasil através de mulheres que assumiram o compromisso de manter viva essa herança espiritual.


Inspirada na linhagem da Danza de Luna Ollintlahuimeztli, da Abuela Malinalli, e semeada em terras brasileiras por mulheres comprometidas com essa tradição, a cerimônia continua florescendo através de círculos femininos.


A Dança da Lua surge como um complemento à tradicional Dança do Sol, rito ancestral conhecido entre diversos povos indígenas das Américas.


Enquanto a Dança do Sol honra a força solar e a força do sagrado masculino, em honra e entrega ao feminino através de sacrifícios, jejum, a disciplina e o serviço à vida, a Dança da Lua honra os mistérios da Lua, da noite, da criação, da fertilidade, da intuição, dos ciclos da vida, da força e da sabedoria feminina.


Quatro noites para lembrar quem somos e o que fazemos aqui


Durante quatro noites consecutivas, do anoitecer ao amanhecer, mulheres de diferentes histórias, idades e trajetórias dançam, cantam, celebram e rezam juntas ao som dos tambores e maracás, diante do fogo sagrado.


Seja cantando, silenciando, dançando, rezando, jejuando, sorrindo ou chorando, mulheres renascem!


A cada noite, as dançantes atravessam portais simbólicos ligados às quatro direções, aos quatro elementos e às forças que sustentam nossa existência. É um caminho de profunda introspecção, entrega e transformação.


Em um círculo de Dança da Lua não devemos pensar em competição. Assim como em qualquer lugar, podem acontecer alguns estranhamentos, pois é natural lidar com diferenças, ainda mais quando falamos de centenas de pessoas reunidas, mas, na Dança da Lua, vi de perto a existência de uma irmandade, amizade, respeito e acolhimento.


Existe o reconhecimento de que cada mulher carrega em si uma história única, mas que todas compartilham algo em comum: a busca pela cura e o desejo de caminhar em verdade a serviço do universo e toda a humanidade.


As quatro direções e os ensinamentos da natureza


A tradição honra as quatro direções sagradas, cada uma traz medicinas e ensinamentos específicos.


O Leste nos convida a abrir novos caminhos e receber a luz da sabedoria.

O Oeste nos conduz ao mundo dos sonhos, da fertilidade e da manifestação.

O Norte nos apresenta o silêncio, a cura profunda e a sabedoria da água.

O Sul desperta a coragem, a paixão pela vida e a força necessária para cumprir nosso propósito.


Assim como os povos ancestrais observavam os movimentos da natureza e das estações para compreender a existência, a Dança da Lua nos relembra que somos parte inseparável da Terra, da Água, do Fogo e do Ar.


Somos natureza. Somos ciclo. Somos memória viva.


O poder do rezo coletivo


Uma das maiores forças deste rito está na união das intenções das mulheres


Cada mulher leva seus rezos, suas preces, seus agradecimentos e seus pedidos.

Ao longo dos dias e, especialmente, das madrugadas, esses rezos são ofertados ao fogo, aos elementos, à Terra e ao Grande Mistério.


Quando centenas de mulheres se unem em propósito, algo profundo acontece.

Não apenas a vida individual é tocada. A irmandade sente.

Famílias, relações e futuras gerações também são tocadas.


A Dança da Lua nos ensina que o rezo não é apenas uma palavra pronunciada.

É canto, é dança, é uma forma de viver e caminhar.


É também, uma forma de honrar tudo aquilo que recebemos da existência.


Gratidão por caminhar como dançante da Lua


Neste momento, escrevo estas palavras com o coração profundamente agradecido.

Tive a honra de participar deste rito e hoje sigo rumo ao meu terceiro ano de compromisso.


A cada ciclo compreendo um pouco mais a profundidade desse caminho.

A cada encontro me recordo da importância de manter viva essa chama ancestral.


Sinto-me honrada por caminhar ao lado de mulheres incríveis, fortes, sensíveis e comprometidas, unidas por um propósito comum: preservar, honrar e transmitir este legado às próximas gerações.


Minha gratidão se estende às Abuelas, às guardiãs da tradição, às mulheres que abriram os caminhos e dançaram antes de mim, que tiveram a coragem de sustentar essa medicina feminina para que hoje eu possa recebê-la.


Gratidão à Abuela Malinalli. Gratidão Adriana Ocelot por sua fé e entrega.

Gratidão às mulheres que trouxeram e sustentam essa semente no Brasil.

Gratidão a todas as hemanas dançantes que seguem mantendo aceso o fogo desta tradição.


Para o Sol, para a Lua e para as Estrelas


Vivemos tempos em que muitas pessoas buscam reconectar-se com aquilo que realmente importa.


Os ritos ancestrais continuam existindo justamente porque oferecem algo que o mundo moderno muitas vezes esqueceu: pertencimento, presença, espiritualidade, propósito e comunidade.


A Dança da Lua não é apenas sobre dançar.

É sobre lembrar.


Lembrar quem somos. Lembrar de onde viemos.

Lembrar daqueles que caminharam antes de nós.

Lembrar que somos filhas da Terra e guardiãs da vida.


Que possamos seguir honrando nossos ancestrais, os ensinamentos dos povos originários e todas as mulheres que mantiveram viva essa sabedoria através dos séculos.


Que essa chama continue acesa.

Que o som dos tambores continue ecoando pelo universo.

Que os rezos continuem subindo aos céus.


Que possamos ter motivos para celebrar e dançar eternamente.

Para o Sol, para a Lua, e para as Estrelas.


Por todas as nossas relações.


Aho Mitakuye Oyasin, Ometeotl, Axé

Salve Deus!


Lua

Madrinha Lua da Floresta


@lua_rosavermelha @luadafloresta

 
 
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