Relações também são Altares sagrados
- há 2 dias
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O inverno sempre foi reconhecido, em muitas tradições ancestrais, como o tempo do recolhimento. Tempo de diminuir o ritmo, silenciar e olhar para dentro. Talvez este seja o convite desta estação: observar não apenas quem somos, mas como estamos nos relacionando.
Olhando os bastidores da vida, é impossível não perceber que muitas pessoas estão se perdendo na energia sexual, na superficialidade dos vínculos, na falta de sinceridade e de responsabilidade afetiva.
Fala-se muito sobre sexualidade, relacionamentos livres, sobre medicinas da floresta e expansão da consciência. Mas pouca gente fala sobre responsabilidade, disciplina e compromisso.
Homens e mulheres chegam aos altares carregando dores, traumas e feridas profundas. Chegam confiando naquela egrégora, naquela possibilidade, espiritualidade, na irmandade e na integridade das pessoas que ali buscam cura. Por isso, cuidar de um altar é, antes de tudo, cuidar de pessoas e de si mesmo.
Não basta consagrar medicinas por anos, servir em cerimônias ou ocupar espaços de liderança se não existe respeito, verdade na missão, lealdade e responsabilidade na forma como tratamos quem cruza nosso caminho, bem ali, no dia a dia.
A sexualidade é sagrada. O afeto é sagrado. A amizade e o respeito são sagrados.
Mas tudo isso perde a força quando corpos são colecionados, corações são feridos e vínculos são construídos sobre interesses, ilusões e mentiras.
Se você precisa esconder quem é, omitir relações ou viver com medo de que a verdade apareça, talvez seja hora de parar e olhar para dentro. As medicinas não existem para alimentar o ego, dar status ou justificar desejos. Elas existem para nos ensinar a viver melhor. E viver melhor começa na vida cotidiana.
Também aprendi que honrar um clã ou uma linhagem não significa fechar os olhos para tudo. Honrar é caminhar com respeito, mas também permanecer aberto aos aprendizados, às mudanças e à fluidez da vida.
Saiba falar quando o silêncio se tornar omissão. E saiba silenciar quando as palavras já não forem necessárias.
Se um lugar, uma relação ou um caminho deixou de fazer sentido para sua consciência, afaste-se em paz. Não entre em guerras desnecessárias, mas também não abandone sua verdade para agradar pessoas.
Não perca seu foco. Não se esqueça da sua missão.
É preciso valorizar pessoas e círculos que realmente trabalham para a cura. São poucos. São raros. Mas ainda existem.
Que possamos voltar ao simples: verdade, respeito, amizade sincera e responsabilidade.
Porque honrar relações é honrar a própria vida.
E essa, talvez, continue sendo a maior medicina de todas.
Aho Mitakuye Oyasin
Lua
@lua_rosavermelha
@luadafloresta



