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Relações também são Altares sagrados

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

O inverno sempre foi reconhecido, em muitas tradições ancestrais, como o tempo do recolhimento. Tempo de diminuir o ritmo, silenciar e olhar para dentro. Talvez este seja o convite desta estação: observar não apenas quem somos, mas como estamos nos relacionando.


Olhando os bastidores da vida, é impossível não perceber que muitas pessoas estão se perdendo na energia sexual, na superficialidade dos vínculos, na falta de sinceridade e de responsabilidade afetiva.


Fala-se muito sobre sexualidade, relacionamentos livres, sobre medicinas da floresta e expansão da consciência. Mas pouca gente fala sobre responsabilidade, disciplina e compromisso.


Homens e mulheres chegam aos altares carregando dores, traumas e feridas profundas. Chegam confiando naquela egrégora, naquela possibilidade, espiritualidade, na irmandade e na integridade das pessoas que ali buscam cura. Por isso, cuidar de um altar é, antes de tudo, cuidar de pessoas e de si mesmo.


Não basta consagrar medicinas por anos, servir em cerimônias ou ocupar espaços de liderança se não existe respeito, verdade na missão, lealdade e responsabilidade na forma como tratamos quem cruza nosso caminho, bem ali, no dia a dia.


A sexualidade é sagrada. O afeto é sagrado. A amizade e o respeito são sagrados.

Mas tudo isso perde a força quando corpos são colecionados, corações são feridos e vínculos são construídos sobre interesses, ilusões e mentiras.


Se você precisa esconder quem é, omitir relações ou viver com medo de que a verdade apareça, talvez seja hora de parar e olhar para dentro. As medicinas não existem para alimentar o ego, dar status ou justificar desejos. Elas existem para nos ensinar a viver melhor. E viver melhor começa na vida cotidiana.


Também aprendi que honrar um clã ou uma linhagem não significa fechar os olhos para tudo. Honrar é caminhar com respeito, mas também permanecer aberto aos aprendizados, às mudanças e à fluidez da vida.


Saiba falar quando o silêncio se tornar omissão. E saiba silenciar quando as palavras já não forem necessárias.


Se um lugar, uma relação ou um caminho deixou de fazer sentido para sua consciência, afaste-se em paz. Não entre em guerras desnecessárias, mas também não abandone sua verdade para agradar pessoas.


Não perca seu foco. Não se esqueça da sua missão.


É preciso valorizar pessoas e círculos que realmente trabalham para a cura. São poucos. São raros. Mas ainda existem.


Que possamos voltar ao simples: verdade, respeito, amizade sincera e responsabilidade.


Porque honrar relações é honrar a própria vida.

E essa, talvez, continue sendo a maior medicina de todas.


Aho Mitakuye Oyasin


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