Ritos Sagrados- A força da chanupa
- Luane Bittes
- 1 de out. de 2025
- 4 min de leitura

A Chanupa e o Caminho Vermelho
Segundo a tradição oral, há muito tempo, quando o povo Lakota passava por um período de grande fome e desespero, A Mulher Búfalo Branco, uma mulher sagrada, apareceu para dois caçadores.
Ela os instruiu sobre o modo de vida correto, o Caminho Vermelho (Can Wakan), e lhes entregou o cachimbo sagrado. Este presente divino veio acompanhado de sete rituais sagrados que auxiliam, apoiam e guiam o povo em sua jornada terrena.
O Caminho Vermelho não é um modo de vida, uma filosofia que busca a harmonia entre o ser humano, a natureza e o Grande Espírito (Wakan Tanka). Ele simboliza a linha da vida que deve ser percorrida com integridade, honra e respeito. A Chanupa é uma aliada para seguir este caminho, pois sua fumaça é um elo direto entre o mundo físico e o espiritual. É um símbolo de humildade e de reconhecimento de que não estamos sozinhos, mas sim, a serviço e em comunhão com o Grande espírito e toda sua criação.
Segundo conhecimentos antropológicos, alguns estudos ,vivências em altares e círculos de rezo, percebe-se que a Chanupa é um objeto material que carrega um enorme peso simbólico, espiritual e social. Cada parte do possui um significado profundo:
O fornilho (a parte onde o tabaco é colocado): É feito de pedra catlinita vermelha (pipestone), uma rocha macia encontrada em minas sagradas. A cor vermelha simboliza a terra e o sangue, a conexão com a Mãe Terra e com a linhagem de nossos ancestrais. A forma do fornilho representa o ventre e ao mesmo tempo o coração do rezo, onde abastecemos honrando a natureza, com boas palavras, pedidos e agradecimentos.
Catlinita, também conhecida como pipestone, tem uma importância cultural e espiritual significativa para muitas etnias nativas americanas, especialmente aquelas das regiões das planícies e do Alto Centro-Oeste. Ele tem sido usado para diversos fins ao longo da história, sendo seu uso principal centrado na confecção de cachimbos cerimoniais, também conhecidos como cachimbos da paz.
A catlinita é mais famosa na fabricação de cachimbos cerimoniais, que desempenham um papel central em muitos rituais e cerimônias dos nativos americanos. Esses cachimbos são meticulosamente esculpidos e decorados com desenhos e símbolos complexos, muitas vezes representando crenças espirituais, afiliações tribais ou conexões pessoais. Consagrar ( tornar sagrado) um cachimbo, tem um profundo significado cerimonial, simbolizando a unidade, a comunicação com o mundo espiritual e o estabelecimento de laços entre indivíduos.
A Aste/O tubo (a parte que se conecta ao fornilho): Feito de madeira, representa a coluna vertebral, bem como a caminhada e a jornada espiritual de quem a consagra.
A união entre o fornilho e o tubo: Ao unirem-se, eles formam o corpo humano, a união sagrada entre a força masculina e feminina, um microcosmo da existência. A fumaça que sobe simboliza os pensamentos e orações que se elevam aos céus e mentores espirituais.
As decorações: Penas de águias e outras aves, cabelos de cavalo e outros adornos representam a conexão com os animais e com as energias que eles carregam.
A Chanupa, portanto, é a representação física do próprio ser humano em seu estado mais puro e conectado, sendo ela própria um rezo, um veículo de comunicação direta e sagrada.
Rituais, uso e a conquista da Chanupa
O uso da Chanupa é estritamente cerimonial e ritualístico, e seu manejo requer um profundo respeito e conhecimento.
Uso Cerimonial: A Chanupa é utilizada em quase todos os rituais do Caminho Vermelho. Em um Temazcal, por exemplo, ela é acesa e suas rezas purificam o espaço e os participantes. Na Busca da Visão, o buscador de 13 dias ou em sua jornada espiritual, pode levar sua Chanupa para a montanha, ( sem acender) onde passará dias em jejum e oração, para que o cachimbo absorva as energias da experiência.
A Chanupa não é para uso recreativo; é uma ferramenta de oração e cura. A fumaça é direcionada às sete direções sagradas (Leste, Sul, Oeste, Norte, Céu , Terra e coração), para honrar e invocar os poderes de todas as direções.
A conquista de uma Chanupa não é um simples ato de compra como no cachimbo, mas um rito de passagem. Uma pessoa se torna Guardiã de Chanupa após um longo e dedicado processo de aprendizado e serviço à suas relações.
Na tradição do Caminho Vermelho, após a realização de uma Busca da Visão de treze dias, o buscador pode ser reconhecido como apto a portar sua própria chanupa, e fazer juz da responsabilidade que ela traz.
É um momento de grande honra, e a primeira vez que ele acende sua Chanupa é um rito de passagem oficial que celebra sua nova responsabilidade como Guardiã de rezos.
Este é um caminho de confiança, fé e gratidão. Cada rezo é um lembrete de um pacto sagrado com o universo e suas relações,
É com amor e respeito que honramos esses ensinamentos e a sabedoria que nos foi legada.
Para quem sente o chamado dos estudos e práticas ancestrais, a Imersão do Pentagrama oferece um espaço para compartilharmos conhecimentos através de uma vivência bem especial. Nela, é possível explorar a profundidade de tradições antigas, seja em encontros presenciais, com ou sem medicinas da floresta, e também em jornadas virtuais!
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